O Barco Brasil larga de Recife (PE) neste domingo (29/3) para a etapa decisiva da Globe40, a regata de volta ao mundo em duplas. Com destino a Lorient, na França, a embarcação brasileira chega ao desfecho da competição em posição de destaque: lidera a classificação da categoria Sharp, com 22 pontos, e ocupa o terceiro lugar na geral da Class40, com 49,5.
A última perna terá 4.290 milhas náuticas, coeficiente 2 e duração mínima prevista de 20 dias, em uma travessia que deve exigir estratégia, resistência e precisão até a chegada ao noroeste francês.
Na prática, a etapa entre Recife e Lorient deve começar sob calor e umidade elevados, passar por zonas de vento instável no Atlântico tropical e terminar sob condições mais frias e técnicas na aproximação da costa francesa.
Formado por José Guilherme Caldas e Luiz Bolina, o Barco Brasil é o único representante do país na Globe40 e também a única equipe da regata a disputar toda a volta ao mundo sempre com a mesma dupla, desde o início da jornada, em agosto de 2025.
A campanha até aqui soma três vitórias, nas etapas de Cádiz, Mindelo e Sydney, além de dois segundos lugares, no Prólogo e na perna da Ilha Reunião. Na Sharp, o time brasileiro abre vantagem sobre Wilson Around The World, da Áustria, que tem 26,5 pontos, e sobre o francês Free Dom, com 30,5.
A competição está em sua segunda edição e reúne sete veleiros de diferentes países. Para entrar oficialmente na classificação final, cada embarcação precisa concluir a última perna, salvo casos de força maior.
Os números ainda ajudam a explicar a exigência esportiva da reta final. O barco brasileiro compete na categoria Sharp, reservada aos Class40 com largura de até 2,30 metros a 2 metros da proa.
Os barcos da classe têm 40 pés, cerca de 12 metros de comprimento, e foram concebidos para regatas oceânicas rápidas e seguras, em tripulações reduzidas.
”Estamos para começar a etapa final da Globe 40, depois de um ano de preparação, treinamento e disputas, o Barco Brasil está na primeira colocação entre os barcos da classe Sharp em terceiro na classificação geral”.
”Após mais de 2/3 da competição de volta ao mundo realizada, a chance de sermos campeões na nossa classe (Sharp) e terceiro na geral é real, bastando ter um desempenho equivalente ao que vem sendo obtido na competição até agora”, disse José Guilherme Caldas.
Mais do que a disputa esportiva, o projeto carrega um peso simbólico. Sem patrocínio, o Barco Brasil nasceu para ampliar a divulgação da campanha de prevenção e combate ao AVC e chega à reta final sustentado por uma trajetória consistente em uma das regatas oceânicas mais exigentes do calendário.
José Guilherme Caldas concilia a campanha no mar com sua atuação como médico e professor da USP, enquanto Luiz Bolina leva para a competição sua experiência acumulada no windsurf, no kitesurf e no wingfoil, habilidades que têm sido fundamentais nas manobras e nos consertos sob condições extremas.
A etapa entre Recife e Lorient também reúne características clássicas de uma travessia oceânica longa: calor e umidade na saída do Nordeste, instabilidade em parte do Atlântico tropical e, mais adiante, condições progressivamente mais frias e duras na aproximação da costa francesa. Em dupla, o desafio ganha outra dimensão, com sono fragmentado, atenção permanente à meteorologia, ao tráfego marítimo e ao estado do barco. É neste cenário que o Barco Brasil tentará transformar a liderança entre os Sharp em título na chegada à Bretanha.
Números para o título
Na prática, olhando apenas a classificação da Sharp, o cenário é bem favorável ao Barco Brasil. Hoje ele lidera com 22,00 pontos, contra 26,50 do Wilson Around The World e 30,50 do Free Dom. A última etapa terá coeficiente 2, e a tabela mostra que a pontuação da perna é multiplicada por esse coeficiente. Assim, entre os cinco barcos da Sharp, a etapa final distribui 2 pontos ao 1º, 4 ao 2º, 6 ao 3º, 8 ao 4º e 10 ao 5º.
Com isso, se o Barco Brasil chegar em 3º, soma 6 pontos e vai a 28,00. Mesmo no melhor cenário possível para os rivais, o Wilson, se vencer a etapa, iria a 28,50, e o Free Dom, também vencendo, iria a 32,50. Ou seja: chegar em 3º lugar garante o título da Sharp, independentemente dos outros resultados.
A simulação fica assim, sempre considerando só a Sharp:
Se o Barco Brasil for 1º, termina com 24,00 e é campeão.
Se for 2º, termina com 26,00 e também é campeão.
Se for 3º, termina com 28,00 e também é campeão, mesmo que o Wilson vença a etapa.
Se for 4º, termina com 30,00 e ainda pode ser campeão, mas aí passa a depender de o Wilson não vencer; se o Wilson chegar em 1º, vai a 28,50 e ultrapassa o Barco Brasil.
Se for 5º, termina com 32,00 e ainda pode ser campeão, mas só se o Wilson chegar no máximo em 3º; se o rival austríaco for 1º ou 2º, passa à frente. O Free Dom, mesmo vencendo a etapa, iria a 32,50, então não alcança o Barco Brasil nem nesse cenário.
Vaquinha
O Barco Brasil vai lançar uma campanha de financiamento coletivo na reta final da Globe40, regata de volta ao mundo em duplas, após o projeto atingir cerca de R$ 3 milhões em custos acumulados desde o início da preparação e da competição.
A campanha está na Catarse — https://www.catarse.me/projeto_barco_brasil
”Na etapa anterior de Valparaiso no Chile para Recife o barco sofreu diversas avarias devido às condições severas de vento e mar, exigindo reparos e reposição em Velas, Instrumentos, entre outros Equipamentos, o que demandou um aporte financeiro expressivo e de certa forma inesperado”, explicou o comandante.
Sem patrocínio, o projeto teve todos os aportes feitos até aqui pelo skipper José Guilherme Caldas, o que levou a equipe a buscar apoio externo neste momento da campanha. Os danos mais recentes exigiram reparos e reposição de velas, instrumentos e outros equipamentos de bordo, gerando um custo elevado e inesperado antes da largada final.
A iniciativa de financiamento coletivo surge, assim, como uma tentativa de dividir com apoiadores e entusiastas da vela o esforço para manter o Barco Brasil competitivo até o fim da regata.
Classe Sharp
1º — BARCO BRASIL (BRA) — 22,00 pontos
2º — WILSON AROUND THE WORLD (AUT) — 26,50 pontos
3º — FREE DOM (FRA) — 30,50 pontos
4º — JANGADA RACING (GBR) — 46,00 pontos
5º — WHISKEY JACK (CAN) — 47,50 pontos
Classe 40
1º — CRÉDIT MUTUEL SCOW (FRA) — 19,00 pontos
2º — BELGIUM OCEAN RACING – CURIUM SCOW (BEL) — 19,00 pontos
3º — BARCO BRASIL (BRA) — 49,50 pontos
4º — WILSON AROUND THE WORLD (AUT) — 54,00 pontos
5º — FREE DOM (FRA) — 58,00 pontos
6º — JANGADA RACING (GBR) — 73,50 pontos
7º — WHISKEY JACK (CAN) — 75,00 pontos
8º — NEXT GENERATION BOATING AROUND THE WORLD SCOW (GER) — 73,00 pontos*
A Globe40
A Globe40 reúne sete veleiros de diferentes países e utiliza um sistema de pontuação acumulada em que vence quem somar menos pontos ao final do percurso. A competição é disputada em barcos Class40, divididos entre as categorias Scow, de proa larga e projeto mais recente, e Sharp, de proa fina — divisão que também conta com premiação específica ao término da volta ao mundo. A regata teve um prólogo em Lórient, na França, no final de agosto, e largada em setembro no porto espanhol de Cádiz. De lá, passou por Mindelo, em Cabo Verde, a Ilha Reunião, na costa sul-africana, Sydney, na Austrália, e Valparaíso, no Chile.
Contato:
Flávio Perez e Juliana Leite
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