Aline Silva no Diário de São Paulo

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Matéria especial feita com a atleta de luta olímpica Aline Silva.

Veja o ping-pong com a campeã

– Como você já está classificada para os Jogos de Toronto-2015, qual sua principal meta no Pan da modalidade, no Chile? Vai usá-lo como laboratório para a competição no Canadá?

Meu objetivo é sim conquistar o ouro nas duas competições. O nível técnico das atletas das Américas está mais forte e por isso não posso falar em laboratório e sim num campeonato de alto nível. Os últimos resultados da luta olímpica brasileira em eventos internacionais nos colocam – luta olímpica feminina – em um patamar mais alto. Confesso que as adversárias estão me marcando mais
– O que a conquista da medalha de prata no Mundial mudou em você, como atleta, e na sua carreira?  
O resultado foi histórico, inédito e importante pra minha carreira e para a luta olímpica nacional. Eu trabalho ainda mais para repetir e melhorar os resultados internacionais. Confesso que as adversárias me estudam mais agora e eu, é claro, treino ainda mais para me superar e ajudar na evolução da minha modalidade
– Qual seu maior sonho como atleta?
Ser medalhista olímpica e, quem sabe, ouvir o hino nacional na Olimpíada de 2016
– Com as competições e os intercâmbios internacionais recentes, quais as principais evoluções que notou na sua técnica?
Muita coisa. Sempre digo que o intercâmbio é fundamental na nossa modalidade, pois podemos sentir o jogo das nossas adversárias, além de se adaptar às várias escolas de luta olímpica. Estive na França, Suécia e Mongólia, além do camping no Brasil.
– Você tem 11 títulos brasileiros na sua categoria de peso e apesar da evolução da modalidade, a luta olímpica ainda não é uma modalidade popular no país. Preocupa-se com a limitação na concorrência interna? Isso te prejudica de alguma forma (até em relação à preparação para torneios internacionais)?
Acredito que as meninas estão se dedicando mais. Não é uma modalidade conhecida, mas o vice-campeonato mundial pode ter sido um divisor de águas nesse sentido, pois as atletas brasileiras podem pensar que são capazes. Claro que poderíamos ter mais atletas e mais campeonatos internos, mas esse é um segundo passo.
– Você treina com seu marido como sparring, qual o maior desafio de se preparar treinando contra um homem e que tipo de vantagem isso já te proporcionou (em relação a golpes e ações que possam não ser tão comuns entre as mulheres, por exemplo…)?
Foi a solução mais adequada para a minha atual fase de treinamento. O treinamento com o Flávio Ramos – meu marido – é importante, pois tenho que aplicar mais força e acertar a técnica sempre. Além disso trocamos ideias e analisamos as adversárias juntos em casa.
– Como estão suas expectativas em relação a pódio para Toronto e Olimpíada do Rio?
Entro para conquistar meu melhor resultado. Sempre! O Pan é um evento mais próximo e quero a medalha de ouro. Vou fazer de tudo para isso. Mas quero ter a certeza de que no final – com ou sem medalha – eu fiz tudo que podia fazer. A Olimpíada é só no ano que vem e prefiro ir com calma com projeções
– Com a meta de ser Top 10 nos Jogos de 2016, o Brasil passou a investir mais em modalidades nas quais, tradicionalmente, não o fazia mas que oferecem muitas medalhas em olimpíadas, como a luta olímpica, por exemplo.  Teme que depois da Olimpíada este estímulo diminua e a modalidade possa regredir?
Espero que não, mas sei que é uma possibilidade. Nós lutamos tanto para melhorar as condições das outras modalidades ‘menos tradicionais’ e não podemos perder isso. Mas somos brasileiros e sempre nos adaptamos à realidade
– O que pode ser feito para evitar isso?
Mais investimentos na base, mais clínicas nas escolas e a continuidade do fenômeno UFC. Mais atletas do MMA estão reforçando seus fundamentos de luta olímpica para se equipar aos lutadores dos EUA. Lá, os norte-americanos têm a luta olímpica, chamada de wrestling, como especialidade, assim como os lutadores brasileiros são fortes no jiu-jitsu
– Como suas experiências no judô e no jiu-jitsu afetam seu estilo na luta olímpica?
Ajudaram muito na hora da luta agarrada. O começo foi um pouco mais fácil sim.
– Quando se lembra das dificuldades que já enfrentou na carreira e olha a situação em que está hoje,
As dificuldades me trouxeram aqui hoje. Não desisti e fiz de tudo junto com minha família para alcançar meus resultados. Batalhei para me formar na faculdade – lá vendia alfajor e lanche natural para pagar os estudos, trabalhei, fiz bicos e treinei muito. A minha história se confunde com a de muitas brasileiras, guerreiras por essência.
– Nosso país não tem muita tradição nas lutas, qual a atitude das adversárias estrangeiras em relação ao Brasil?
Nós melhoramos muito e os resultados já são diferentes do passado. Somos mais estudadas agora. É normal no esporte profissional