Thiago Pereira: ‘O povo precisa se unir’

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Thiago Pereira falou ao Metro Rio sobre a temporada 2014 e sobre os desafios até 2016. veja o bate-papo

Quais momentos de Londres permanecem vivos em sua memória?
A Olimpíada de 2012 foi especial. Lembro todos os dias daquele 28 de julho. Foi um dos meus melhores momentos na carreira e uma emoção indescritível. Londres está eternizada em uma tatuagem que fiz. Coloquei o tempo dos 400 metros medley em numeral romano na pele.

Há um temor geral que as manifestações de junho do ano passado se repitam na Copa do Mundo. Você crê que esses protestos acontecerão também na Olimpíada?
As manifestações, desde que sejam por um propósito e sem violência, são válidas. O povo brasileiro precisa se unir para acabar com muita coisa errada que ainda nos assola. Mudanças não acontecem do dia para noite, mas aos poucos os brasileiros começam a ter mais participação nos caminhos do país. Sobre as manifestações na Copa, eu acredito que podem ocorrer, porque temos eleições poucos meses depois. Já na Olimpíada, não tenho como prever.

Quem podem ser seus principais adversários na Olimpíada de 2016?
Ainda é cedo para dizer quem vai nadar. A partir do Mundial de 2015, em Kazan, teremos uma noção mais clara dos principais nadadores. Só garanto que estarei brigando pelo ouro nos 200m medley.

Às vésperas da Olimpíada, o Brasil ainda tem uma estrutura esportiva que engatinha. Você acha que essa competição vai deixar algum legado para o país?
Acredito que a Olimpíada possa deixar um legado, mas é preciso trabalhar, aumentar as instalações esportivas e apoiar os outros esportes mais constantemente. É um processo lento. Mas acho que dá para aumentar, por exemplo, o número de arenas, centros de treinamentos e parques aquáticos. Se parece ter dado certo com a Copa do Mundo de futebol, pode dar com as modalidades olímpicas.

Recentemente, o caso de doping do ciclista Lance Armstrong gerou uma grande polêmica. Como você vê o uso de substâncias proibidas no esporte e, especificamente, na natação?
O esporte de alto rendimento, inclusive a natação, vive sob permanente vigilância para diagnosticar e punir o doping. Os casos fazem parte do esporte e as autoridades fazem atualizações constantes para combater o problema, que sempre existiu.

Na prática, como isso acontece?
A Federação Internacional de Natação (FINA) e a entidade que fiscaliza os casos de doping fazem o chamado passaporte biológico: é colhido o sangue em todos os grandes eventos e as informações são arquivadas. Mesmo assim, a questão do doping é chata, pois todo atleta faz de tudo para se superar e, se estiver burlando as regras, perde a real filosofia do esporte, que é baseada na meritocracia, aquela onde ganha o melhor.

Este ano, acontecem o Mundial de piscina curta e o Pan-Pacífico. Você pensa em concentrar esforços nas provas de piscina curta?
O objetivo é ser medalhista nas duas competições. A preparação será feita de acordo com o evento. Para o Pan-Pacífico segue a mesma rotina adotada para as competições como a Olimpíada e o Pan-Americano.

E quanto ao Mundial?
No caso do Mundial de curta, a ideia é intensificar mais os treinos de virada e ondulação, que podem definir resultados. Como a piscina é menor, os atletas usam mais esse fundamento. Sempre digo que nadar em piscina curta é uma outra natação.

Esperando por Michael Phelps

Os bastidores da natação estão em ebulição com a possível volta de Michael Phelps, maior medalhista olímpico da história, às piscinas. O americano voltou a lista dos atletas que são submetidos ao exame antidoping e retomou os treinamentos. Antes de voltar a competir, um dos maiores nomes do esporte precisa ficar nove meses limpo nos testes a que for submetido. A volta de Phelps interessa diretamente a Thiago Pereira, vizinho de raia nas provas de medley.

“Tem grandes chances de ele voltar. Para mim é um estímulo a mais. Ele é um grande competidor, é o maior atleta olímpico da história”, ressalta Thiago.

O brasileiro esbanja orgulho ao falar de seus resultados, de Phelps, e de outros adversários como Ryan Lochte e Laszlo Cseh.

“Tenho a honra de fazer parte desta geração, que é a maior do nado medley de todos os tempos”, destaca.