Saiu no LANCE! Jessica Bruin fala do crescimento da natação feminina

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A evolução olímpica da natação feminina. Por Jessica Bruin Cavalheiro
Olá amigos leitores do LANCE! A cultura esportiva brasileira tem como base historicamente o futebol, que nunca premia o esforço do segundo colocado ao último. Só vale quem vence. Com a Rio 2016, os brasileiros tiveram a chance de enterrar essa monocultura e os reflexos disso vamos saber em breve. A natação, minha modalidade que defendo desde criança, não teve medalhas na piscina e trouxe uma inédita conquista na maratona aquática, com o bronze da Poliana Okimoto. As criticas devem ser aceitas e para Tóquio 2020 acredito que muita coisa deve ser mudada nas piscinas, mas uma delas precisa ser ainda mais impulsionada: a natação feminina. Sim, as meninas melhoraram e muito seus resultados, algo que era impensável em edições passadas.
Mas para chegar na Rio 2016 foi criado em 2012 um projeto direcionado à natação feminina pela CBDA, Correios e o Ministério do Esporte. O Sesi-SP, do qual faço parte, também teve uma parcela fundamental nessa evolução, assim como outros clubes formadores. Tivemos para o projeto um técnico exclusivo para as mulheres da seleção – Fernando Vanzella – e inúmeras ações internacionais, que foram fundamentais para os resultados. Competir em nível mundial tem o intuito do intercâmbio! Nós aprendemos muito, pois competir ao lado dos campeões do mundo fez a diferença. Vimos como eles se prepararam, nos acostumamos com o ambiente e nos sentimos de igual para igual, não com inferioridade. Infelizmente na América do Sul não existe uma competitividade muito grande e isso nos faz acomodar com os resultados, e quando viajamos para fora e encaramos elas, acreditamos que somos capazes e que temos que trabalhar duro para ficar no topo. Oito anos no mínimo foram necessários para esse trabalho duro dar resultado nos Jogos. Projetos como estes trazem os resultados a longo prazo, as meninas cresceram muito no cenário mundial.  Tivemos a nossa primeira campeã mundial – Etiene Medeiros, o bicampeonato do Mundial de Curta de 2014 e o do último sábado, e uma das melhores campanhas olímpicas, imagino que em mais quatro anos neste ritmo podemos contar com uma medalha feminina sim nas piscinas!
Na Rio 2016 os nadadores brasileiros quebraram cinco recordes no total, sendo quatro sul-americanos e um recorde brasileiro. Desses recordes, podemos destacar a participação feminina em três deles. Etiene Medeiros quebrou a melhor marca sul-americana dos 50m livre (24s45) e brigou braçada a braçada pelo pódio. A Manuella Lyrio nos 200m livre nadou para 1min57s28. E a equipe feminina do revezamento 4x200m livre estabeleceu uma nova marca sul-americana na prova, com o tempo de 7min55s68. Participei desse histórico quarteto sendo a segunda brasileira a cair na água. Dei o meu melhor e sei que todas tentaram se superar para escrever nosso nome na história.
Na Olimpíada fiz minha última prova defendendo a seleção brasileira. Deixo o espaço para as novas gerações que farão a natação feminina cada vez mais forte de Tóquio 2020 em diante. A Jessica Bruin Cavalheiro deixa de cair na água para competir, mas continuará a fomentar a modalidade e apoiar as meninas nadadoras a serem campeãs na vida e no esporte. Eu e minha equipe multidisciplinar planejamos muitas ações e clínicas com esse objetivo.