Mesmo debaixo de chuva, Skate Run 2014 faz a alegria da galera em São Paulo

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Fenômeno. Nem a chuva nem o frio foram capazes de acabar com a alegria e a disposição dos skatistas que participaram neste domingo (21) da Skate Run 2014. Mais de 8 mil fãs e praticantes mostraram a verdadeira paixão pela modalidade ao encarar o percurso de 8 e 3 quilômetros pelas ruas molhadas do centro de São Paulo. O cenário foi totalmente democrático: feras do skate, como Sandro Dias, muitas meninas, famílias inteiras e as crianças.

“Esse é o verdadeiro espírito do skate. Andar pelo simples prazer de curtir o rolê e estar com a família e os amigos. Tivemos mais de 8 mil inscritos e mesmo com a chuva atingimos um número bem próximo de participantes que o ano anterior. Isso mostra que a corrida é um sucesso e temos ainda muito espaço para crescer”, destacou Fernando Amaral, o Bathmann, pentacampeão de downhill e um dos criadores do evento.

Por questão de segurança, a competição ocorreu apenas entre os atletas profissionais. Mesmo assim, os amadores marcaram o seu tempo nos percursos de 8 e 3k.

“Os skatistas de São Paulo deram uma demonstração de que amam verdadeiramente o Skate. Choveu muito, desde a madrugada, e mesmo assim milhares vieram para rua. Nós transformamos a Skate Run em um grande passeio e todos participaram com muita alegria e muita disciplina, entendendo que as medidas tomadas foram para preservá-los, mantendo a segurança e integridade de todos”, destacou Celso Jatene, secretario municipal de Esportes de São Paulo.

Os vencedores entre os profissionais

A paranaense Georgia Kalena Bontorin foi o principal destaque de 2014. Aos 17 anos, foi a primeira mulher a cruzar a linha de chegada em 30min04. A jovem foi seguida por Reine dos Santos Oliveira – 31min04, segunda colocada, e Laura de Carvalho Alli Wilke – 35min04, terceira.

“Pratico há 5 anos e no começo minha família não me apoiava. Quem ficava do meu lado eram mais meus amigos. Mas, graças ao skate já conheci vários países e não penso em largar. Essa vitória não é só minha, mas do skate em si, demonstrando que as mulheres estão conquistando seu espaço e podem ajudar a alavancar ainda mais a modalidade”, disse aGeorgia Bontorin, que é vice-campeã mundial de Speed.

E a briga entre os profissionais do masculino foi intensa. A diferença entre o primeiro e o décimo colocado foi de apenas 1min40s. E quem brilhou foi Bruno de Araújo Miyamoto, o Japa, que terminou a prova em 19min10s.

“Foi a vitória do skate e do esporte. Liberar 8k para praticar o skate é para ser comemorado. Demorou pra gente ter um evento como esse. Estou bastante emocionado por ter feito história e me tornar campeão brasileiro de push”, disse Japa, que agora terá um desafio e tanto pela frente: descer um corrimão de 15 degraus em Goiania (GO) .

Victor Pereira Salazar e Jonas Richter, completaram o pódio em segundo – 19min12s – e terceiro – 19min32s, respectivamente.

“O percurso foi bem técnico, exigindo resistência e força, além de habilidade dos skatistas. A chuva dificultou um pouco nas curvas e tivemos que reduzir um pouco no final”, comentou o vice-campeão da Skate Run 2014, Vitor Salazar.

Depoimentos:

Skate Run mais uma vez cumpriu com seu objetivo de unir as tribos, promover a participação e fomentar a prática, independente do sexo e idade. O engenheiro Marcio Dicroce, por exemplo, fez questão de trazer a filha Valentina, de 6 anos. “Ela anda desde os 4 anos, se joga e adora fazer downhill lá no Museu do Ipiranga. Deixei meu skate no carro e vim para apoiá-la”.

Já Denise Felipe começou aos 40 anos e ressalta que o skate se mostrou uma excelente oportunidade para unir a família. “Aprendi por conta dos filhos e do marido. Fui no embalo e incentivo a todos porque é uma atividade esportiva que nos mantém unidos”, afirmou Denise Felipe, mãe de Pedro e Enzo de Abreu, casada com Gian.

As gêmeas Rebeca e Talita Sobral lembram que tiveram que romper diversas barreiras culturais para seguir na modalidade. “Fazemos parte de um grupo de jovens da igreja e para a maioria da éramos o ‘capeta’. Sofríamos muito preconceito, muitos falavam que skatista era tudo ‘maloqueiro’, vândalo. Mas a paixão pelo esporte segue falando mais alto e estamos aqui, mais felizes do que nunca. Nós quebramos paradigmas”, lembrou Rebeca, que é professora de artes e tem 22 anos.

Skate Run é uma realização da Confederação Brasileira de Esportes Radicais com apoio da Prefeitura Municipal de São Paulo através da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Recreação. #euvoudeskate