Instituto Ingo Hoffmann no Correio Popular de Campinas

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O Instituto Ingo Hoffmann, de Campinas, foi um dos assuntos citados na matéria sobre a vida do piloto publicada nesta terça-feira (11) pelo jornalista Alison Negrinho, do Correio Popular.

Uma vida dedicada ao automobilismo

O ronco do motor anunciava algo que todos já esperavam ver: um show de Ingo Hoffmann dentro das pistas. Maior campeão da Stock Car, o Alemão, como é carinhosamente chamado, tem sua trajetória entrelaçada com a da categoria, que, conforme se popularizava, via o piloto empilhar vitórias. Foram 30 anos de histórias, conquistas e lembranças, mas sua relação com a modalidade começou bem antes.

Ainda criança, Hoffmann pulava a cerca de Interlagos para assistir às corridas da época. A sensação de bem-estar provocada despertou o amor pelo esporte. No mesmo palco, já aos 19 anos, fez sua estreia no automobilismo. “Iniciei em 1972, correndo com um Fusca 1.500 original em um campeonato para pilotos estreantes e novatos”, se recorda.

Só que todo o sentimento de Ingo não era compreendido por sua família. Ao menos nos primeiros passos, os pais não viam com bons olhos a escolha de vida feita pelo filho. “De início não me apoiaram porque achavam que era um esporte perigoso e muito caro. Mas quando viram que eu tinha talento para pilotar, passaram a me apoiar e a empresa onde meu pai trabalhava me patrocinou.”

Junto do incentivo familiar vieram as vitórias que o levaram até a chance na cobiçada Fórmula 1. Em 1976, pôde estrear na categoria disputando o GP do Brasil, coincidentemente em Interlagos, utilizando o segundo carro da Copersucar. Ele chegou na 11ª colocação e viu o mundo do automobilismo olhá-lo com mais carinho.

“Foi uma experiência muito curta, porque participei somente de seis corridas, sendo que em três delas não consegui me classificar, mas foi uma experiência válida, pois o fato de ter corrido na F1 me abriu muitas portas no futuro junto aos patrocinadores”, explicou Hoffmann, que abandonou o GP da Argentina e no GP do Brasil de 1977 terminou em sétimo, ficando muito perto de conquistar um ponto, já que na época apenas os seis primeiros pontuavam. Na corrida em questão, ele estava no sexto lugar restando duas voltas para o fim, quando seu pneu traseiro esquerdo furou e o carro começou a ficar instável. Ingo precisou parar nos boxes e acabou ultrapassado pelo piloto italiano Renzo Zorzi.

Sem pretensão de deixar os monopostos, o brasileiro acabou convencido por um amigo a participar de uma categoria que estava sendo criada. Foi aí que conheceu a Stock Car, onde venceu 76 vezes e conquistou 12 títulos (1980, 1985, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1996, 1997, 1998 e 2002).

“Para mim, o mais especial foi o primeiro, porque ele foi no meu segundo ano na categoria, depois de eu ter voltado da minha carreira internacional, e ainda estava meio triste pelo fato de ter que deixar as pistas internacionais. Esse campeonato me mostrou que dava para correr profissionalmente no Brasil.”

Com o passar dos anos, Ingo colecionou taças. Depois de tantas conquistas, ele contou que o que o motivava para seguir em frente era o prazer de pilotar, além da necessidade financeira. “A coisa mais complicada no automobilismo sempre foi a constante e interminável busca por patrocinadores”, destacou o Alemão, que é totalmente realizado com sua carreira. “Não sinto falta nenhuma das pistas.”

Ex-piloto se dedica hoje a cuidar de crianças com câncer

Após deixar as pistas, o piloto passou a se dedicar ao Instituto Ingo Hoffmann, localizado em Campinas e sem fins lucrativos. Por lá, ele oferece alimentação, entretenimento, ajuda psicológica e moradia para crianças portadoras de câncer. “O Instituto é uma casa de apoio para essas crianças, junto ao Centro Infantil Boldrini. Nós abrigamos famílias com seus filhos que estão em tratamento da doença”, explicou Ingo.

O local possui 30 chalés individuais com quarto, sala, uma pequena kitnet e banheiro, prontos para receber tanto a criança quanto sua família. A ideia é fazer com que os hóspedes se sintam confortáveis durante o tratamento da doença. “Damos todas as alimentações para essas pessoas, temos brinquedoteca, sala de ginástica com acompanhamento para os pais, um pequeno salão de beleza onde as mães tratam seus cabelos e acabam ensinando para outras mães como se faz”, falou Ingo, antes de concluir. “Tentamos fazer com que as famílias fiquem hospedadas da maneira mais digna nesse período difícil de suas vidas.”

Fundado em 2005, o Instituto realiza dois grandes eventos por ano: a festa junina e a celebração de Natal. As datas marcam a memória e o coração das crianças. São ainda cerca de 20 voluntários permanentes que se dedicam aos pequenos pacientes e também ajudam na manutenção, realizando diferentes tarefas.

Somente no ano passado foram 335 pacientes atendidos, juntamente de 670 acompanhantes, resultando em 1.005 pessoas. Já o número total, entre abril de 2007 e dezembro de 2017 é de 9.738 atendidos, somando pacientes e acompanhantes. Entre os projetos realizados pelo Instituto destacam-se o Casa da Criança e da Família, e o Famílias do Instituto em Ação.